segunda-feira, 26 de julho de 2010

COMÍCIO EM BECO ESTREITO - Jessier Quirino

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A negra máscara de Zé Kéti



José Flores de Jesus, aliás, Zé Kéti, um dos sambistas mais celebrados do Brasil, não teve um fim de vida confortável. Em sua vasta obra musical estão preciosidades como “Acender as Velas”, “Máscara Negra”, “Diz Que Fui Por Aí”, “A Voz do Morro” e “Opinião”, samba que deu nome ao memorável show do Teatro Opinião em 1964. Morreu de falência múltipla dos órgãos, em 1999, aos 78 anos.

Como foi – Pois é... Autor de sucessos inesquecíveis viu diminuir as chances de trabalhar nas noites cariocas. Estive com Zé Kéti em 1991. Fui fotografá-lo para o livro “Senhoras e Senhores”, parte de uma bolsa que ganhei da Fundação VItae. Foi Em 1991, quando ele decidiu mudar-se para São Paulo. Morava de favor no quartinho de um minúsculo apartamento da Rua Augusta, cedido por uma amiga que batalhava até a madrugada. Durante o dia, estendia na cama o paletó xadrez para desamarrotá-lo enquanto lustrava os sapatos. Por volta da meia noite saía para os botequins da Boca do Lixo, onde cantava para os boêmios as músicas que compôs, em troca da sobrevivência.

Orlando Brito.



Máscara Negra
Composição: Zé Keti-Pereira Mattos



Quanto riso oh quanta alegria

Mais de mil palhaços no salão

Arlequim está chorando

Pelo amor da colombina

No meio da multidão



Foi bom te ver outra vez

Está fazendo um ano

Foi no carnaval que passou

Eu sou aquele pierrô

Que te abraçou e te beijou meu amor

Na mesma máscara negra

Que esconde o teu rosto

Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora

Não me leve a mal

Hoje é carnaval


quinta-feira, 22 de julho de 2010

O indio, Mário Juruna



 

O cacique Mário Juruna, primeiro índio a eleger-se deputado federal no Brasil. Foi pelo PDT, do Rio de Janeiro. Ao seu lado, Doralice, uma de suas esposas. Ela fez questão de uma pose antes de ir para a posse da Câmara. O líder dos xavantes, falecido em 2002, completaria nessa semana 68 anos.
Como foiDácio Malta fazia parte da briosa equipe de repórteres da Veja, em Brasília. Eu era um dos fotógrafos da revista. Fomos destacados para fazer matérias com vários parlamentares eleitos para o mandato de 1983 a 1987. Um deles era o capitão Mário Juruna, meu velho conhecido desde os tempos em que e trabalhava no Globo. Cobri sua via-sacra pelos gabinetes importantes da capital munido de um gravador no qual registrava a voz das autoridades que prometiam solução para a questão de terras indígenas. Mas nesse dia aí, o da posse na Câmara, sua questão era outra. Dácio e eu fomos ao apartamento no Hotel Torre para fotografá-lo antes de assumir o mandato. Juruna tinha apreendido muitos hábitos dos brancos. Mas não sabia dar o nó na gravata. Evidentemente, resolvemos facilmente a questão. Orlando Brito.

Fonte: http://www.claudiohumberto.com.br/principal/

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Politico no período de eleição

Gostaria de ver político andando ao meio da multidão, bebendo água na casa de pobre, abraçando mendigo, tomando cafezinho no ponto de cem réis, chamando evangélicos e católicos de meu irmão, sentando em tamborete de birosca, recebendo todo tipo de ser humano em seu gabinete fora do período eleitoral. Quando passa o tempo de caça ao voto, o povo vira leproso  e quando aperta a mão em seguido toma um banho de álcool. CARO ELEITOR, ABRA O OLHO COM APROVEITADORES DE SEMPRE! O Brasil só vai melhorar quando promessa de campanha não cumprida se transformar em crime eleitoral.

domingo, 4 de julho de 2010

O País da bola





Se um desavisado estrangeiro, não antenado com as notícias esportivas do mundo, chegasse nesses dias ao nosso País, julgaria que estávamos celebrando importante data cívica, o descobrimento, a independência, a proclamação da república ou coisa assim. O País todo ornamentado de bandeiras nacionais, o povo vestido com as cores nacionais, enfim, aos olhos do turista estrangeiro, deveria tratar-se da comemoração de um megaevento nacional, uma excepcional celebração cívica. 

Como bom brasileiro que pretendo ser, não sou contra o futebol. Mas não consigo compreender que um esporte, por mais "nacional" que seja, se transforme em extraordinária celebração cívica. Que uma partida de futebol numa Copa mundial seja alçada ao nível de um culto à Pátria, que a ela se dê o sentido de civismo e uma decisão esportiva seja algo que interesse ao futuro da Nação e tenha graves consequências para o progresso nacional. Acho que há algo de exagero em tudo isso. "É o Brasil inteiro acompanhando a narração dos locutores" - dizia entusiasmado um deles. Até a devoção a Santo Antônio, o santo mais popular do Brasil, desta vez no domingo 13 de junho, foi invocada para proteger o desempenho de nossos jogadores na partida de abertura da participação brasileira desta Copa do Mundo na África do Sul. 

Acho que há um entusiasmo fora das medidas. Quando nosso país precisa trabalhar muito para vencer o subdesenvolvimento, a nossa juventude tem que estudar muito mais para se preparar para um futuro melhor, penso que nossas energias não deveriam aplicar-se tanto ao futebol e à torcida pelas vitórias esportivas...
O futebol no Brasil de hoje é o verdadeiro ópio do povo. Esquecem-se grandes problemas nacionais, esquecem-se assuntos graves de interesse nacional e pensa-se só em futebol. Há exagero, sim. 


Que o Senhor, nosso Deus, tenha compaixão deste país da bola. Ou para estar mais atualizado com esta Copa africana, diga-se é o País da jabulani... Que Ele abençoe nossos craques, representantes de nossos futebol em terras africanas, mas sobretudo a nós, os torcedores. Faça com que o País da bola seja campeão da ética na política, campeão dos valores cristãos para nossa juventude, tão esportiva e menos preocupada com a seriedade da vida.


» Dom Edvaldo Amaral é arcebispo emérito de Maceió 
Jornal do Comercio, 04/julho-2010