quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tempo de calar



" Tempo de calar "


Tal qual faroleiro que ama sua profissão,
Me associei ao silêncio, em pegajosa solidão.
Em ação deletéria vejo a vida
Passando, ensinando a navegar,
Dentro desta grande procela,
O tempo é de calar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E SE FOSSE COM SEU PAI ? ABSURDO !

 

RECEBÍ DO ALVARO ESTE DESABAFO DA IRIS. VALE A PENA CONFERIR COMO É TRATADO O SER HUMANO NA PARAÍBA E NO BRASIL. ACABOU O RESPEITO. ESTAMOS ENTREGUES AO NADA! DEUS NOS AJUDE

"Bem, no desespero da situação vivida e na impotência diante desta, só nos resta o escândalo.
 
 
Ontem, ao ver meu pai passar mal com dor de cabeça intensa, perda do campo visual e sem conseguir articular as palavras, no desespero, liguei para o SAMU, pedi para falar com um médico e assim o fizeram. Após falar os sintomas que papai apresentara ela me disse “vá para o(Hospital) Edson Ramalho, que é o mais próximo”, pensei em dizer que não seria a melhor escolha, pois o mesmo não tem recursos mas, disse que sim. Ela acrescentou;“vá agora”. E que não deixasse para depois, pois ele precisava ser avaliado por um médico.
 
 
Fomos de táxi para o Hospital Gen. Edson Ramalho, após acolhimento com classificação de risco, disseram para irmos para o Hospital de Trauma – que é o único que tem recursos em casos de problemas neurológicos -, e assim fizemos.
 
 
Ao chegarmos lá, as “recepcionistas” enfermeiras após “acolhimento” _Gente, absurdo! Nos recepcionaram, ainda ao descermos do táxi, elas fizeram sinal para o táxi esperar, sem nem mesmo terem falado conosco! Quando expomos a situação, disseram que não poderiam atender papai lá, porque o tomógrafo estava quebrado e porque os únicos neuros que tinham, estavam em cirurgia e que deveríamos ir para o Hospital São Vicente de Paula, pois lá haveria um neuro de plantão que poderia atender papai. E, somente após isso, se, o médico do São Vicente encaminhasse papai para o Trauma, por escrito, com toda a anamnese é que então o Trauma atenderia.

Mesmo contrariada, não poderíamos deixar que papai não fosse atendido rapidamente então, fomos ao São Vicente. Chegando lá, fomos muito bem atendidos e acolhidos, porém não havia neuro lá – pois só têm de segunda à sexta e pela manhã -. Vendo a situação na qual papai se encontrava, o médico Clínico Geral que atendeu papai, o examinou e contatou que realmente o quadro de papai precisava de uma Tomografia Computadorizada de urgência e a avaliação de um neuro. Então, o médico disse que voltássemos ao Trauma. Nós lhe falamos que lá no Trauma, só atenderiam papai se, ele tivesse um encaminhamento por escrito. Muito humano, o médico assim fez, escreveu toda a anamnese e o que papai precisava.

Voltamos para o Trauma (de táxi), chegando lá, as mesmas recepcionistas-enfermeiras, levaram o papel com a solicitação do médico para dentro do hospital e retornaram dizendo que mesmo assim não poderiam atender, com a mesma ladainha... “Não tem neuro para atender ele e o Tomógrafo está quebrado”. – Oras, se, não dava para atender de maneira alguma, dissessem antes!

E, agora? Voltamos para casa, tornei à ligar para o SAMU, e expus a situação a eles._ O que disseram?... Novo absurdo!

Disseram: “É seu pai! Diga que vai chamar a imprensa, tem a delegacia do idoso. Tem que ir pro Trauma mesmo. Faça alguma coisa!” Poxa, eu? Como? Que CAOS é esse?

Então, ligamos para nossos amigos, pois já não sabíamos mais o que fazer e não tínhamos mais dinheiro. Fomos com eles para o Hospital 13 de Maio, como última tentativa de conseguir atendimento, e lá nos disseram que o único (novamente) hospital que tinha recursos para atendê-lo era o Hospital de Urgência Emergênciae Trauma Senador Humberto Lucena, na BR.

Voltamos para o Trauma - pela 3ª vez-, e só conseguimos atendimento após escândalo na porta do Hospital. E, pasmem! O Tomógrafo não estava quebrado e o médico não estava ocupado! Que absurdo! E, tem mais... Após a Tomografia, o médico disse que seria bom que papai ficasse internado, para acompanhamento pois, o quadro dele poderia piorar e que ele precisava ficar no soro. A enfermeira que nos recepcionou estava lá e disse: “mas, doutor onde vou colocar ele? Na verde não pode mais ficar maca no corredor!” E nos mandou voltar para casa!

Gente! P@#* que pariu todo mundo!!!
 
 
Voltamos para casa da mesma forma que saímos, papai com forte dor de cabeça, estressado, com dislalia, perdendo a sensibilidade no braço direito, e ainda sem muito enxergar. Nós, filhos revoltados e mais pobres do que já somos.

P@#* que Pariu!!! Que Paraíba é essa???

Depois de toda a peregrinação... Papai paralisou completamente. O SAMU levou ele para o Trauma, muito rapidamente transferiram ele para o Hospital Monte Sinai. Neste, fizeram a conduta toda errada. Deram remédio para baixar a pressão dele, que é 12X8, dipirona que também baixa a pressão, ASS, soro glicosado (para quem é diabético), e ranitidina. Nenhum exame, nenhum controle laboratorial. Papai sem conseguir engolir, sem se alimentar, sem beber água... Foi uma experiência desesperadora, deplorável.




Ontem, depois que minha irmã foi na rádio e na TV, o médico de lá do Monte Sinai, trouxe outro médico, disse que ele iria reavaliar toda a conduta e que passaria a cuidar de papai à partir daquela hora. Apareceu fisioterapeuta (que me disseram antes que não tinham para o SUS, só lá em cima - que é particular), mudaram todos os remédios, colocaram uma sonda para ele ser alimentado, puseram um Ringer que é um soro com nutrientes para ele se reestabilizar, fizeram os exames de sangue que haviam se negado de realizar, o exame de urina, fizeram nebulização e, disseram que vão fazer uma Tomografia e uma Ressonância. Somente agora, depois das horas cruciais para que ele melhorasse e revertesse o quadro... Agora, estão tratando ele para o que ele tem.

Eu havia falado com o médico Dr. Francisco e ele me disse; “existe um protocolo nacional e está sendo seguido”. _Oras, se estivesse, não precisaria ser mudado!"
 
 






Iris Ponce Leon

Filhos:
Alvaro: capitao_thor@hotmail.com
Iris : irispleon@gmail.com


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Casa Arrumada

Recebi esta mensagem do amigo Rivelino (@RivelinoPoggi ) Ele achou este texto, do Carlos Drummond,a cópia fiel do seu lar, mas tambem retratou o meu. O que verdadeiramente importa é o calor humano, harmonia e a paz. O resto é bijouteria. 




Casa arrumada é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.


Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. 

Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos…E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.


Arrume a sua casa todos os dias…Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…E reconhecer nela o seu lugar.




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dagoberto e a arte de viver em paz


"Mário, meu irmão, bom dia! Tem uns côcos la na granja, passe lá para pegar!". - Foi desta forma que recebi com muita alegria o último convite do Dagoberto para ir visitá-lo no seu principado de reflexão. Combinei com o Marinho e fomos em busca dos frutos, que na realidade era só uma desculpa para rever um amigo/irmão, que havia uns quinze dias que não avistava.

No portão, fomos recebidos pela "loura" que nos sorriu latindo. Adentramos e como sempre é uma alegria trocar ideia com quem, de forma costumeira, tem uma palavra de sabedoria, de incentivo, enfim, uma toque de generosidade e paz.

Olhamos os quatro cantos, observamos as fruteiras, tentei fazer um vídeo com o celular, mas as imagens não ficaram boas, e, fechamos com chave de ouro ao ouvi-lo tocar violão.

Realmente foi mais um aprendizado me ver ao lado do Dagoberto, que dentre muitas outras situações me ensinou que "cada um tem que fazer a sua parte" e que de "cada ação nossa será ofertado a resposta no futuro, seja esta boa ou não".

Fica a certeza da alegria de Dona Iara, dos filhos e netos, ao parabenizar o patriarca da família, a quem também aprendi, através da observação das atitudes e exemplos, a admirar. Com meus pensamentos voltados ao nosso Bom Deus, me incluo na multidão, agradecendo por mais um ano de vida de quem caminha com a tranquilidade dos passos largos que a vida ensinou.

 
Parabéns meu Irmão. Tenha muita saúde em uma vida longa.

Saúde, Força e União.

Muito obrigado por tudo.


 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quando o perdão não tem importância



Luiz Luna*


O tempo não perdoa quem não toma as atitudes corretas no momento adequado. Logo nos primeiros anos de estudo se aprende a lei da ação e reação. Quando as mágoas se acumulam, as consequências são imprevisíveis. Portanto, adverte o ditado popular que é preciso pensar (e bastante) antes de se falar/agir. Quando se adquire consciência do erro, a ação mais acertada é pedir perdão e dispensar o cuidado necessário para que não se caía em nova tentação.

Nossa educação peca quando nos inibe de expressar de forma adequada nossos sentimentos. Somos disciplinados a esconder nossa verdadeira vontade. O medo se apodera de tal forma de nosso espírito que, muitas das vezes, deixamos de vivenciar bons momentos e, com o tempo, perde-se o conceito do que realmente é a felicidade. Complicamos o que é simples. Desconfiamos peremptoriamente daquilo que nos parece bom. Julgamos por fragmentos, quando somente a análise de todo o contexto, durante um lapso temporal razoável, é que poderia abalizar nossas opiniões.

No entanto, não devemos nos culpar de nossas falhas de comportamento, tampouco sobrecarregar nosso semelhante com tamanha insensatez. Jamil Albuquerque, autor do livro “Como Lidar com Pessoas” alerta para a complexidade do tema e, principalmente, para sermos razoáveis em nossas atitudes. Ponderar se faz necessário. Sermos amorosos, com o próximo e com nós mesmos, abre a janela da alma. Conservar um sorriso, mesmo nos momentos difíceis, ajuda na dura, mas saudável, tarefa de bem viver. Desenvolver uma mente de mestre exige sacrifícios. Aqui e acolá nos deparamos com a regressão. Então, mais uma vez, desconfiamos de que não estamos seguindo o caminho correto.

O certo e o errado possui conotações diferentes para cada ser. Os aspectos culturais possuem influência pujante. Precisamos nos libertar das amarras da ignorância, aniquilar os limites do preconceito. Desconfiar sistematicamente dos conceitos que nos apresentam como imutáveis. A história tem nos ensinado que vivenciamos tempos de mudança. A inovação acontece na velocidade da luz. A informação, instantânea, e o tempo, abrupto, confundem a mente, tolhem as atitudes, inibem o pensamento e acariciam o medo. Muitas vezes clamamos perdão quando a história que pesa em nossas “costas” já se perdeu no tempo, fragmentou-se no esquecimento. O outro ser há muito deslumbra novos horizontes, descobriu que a vida é maior do que os traumas que às vezes o passado insiste em ressuscitar. No entanto, a mente sábia, sintonizada com o positivismo e o desejo de continuar feliz, não se deixa enganar, tampouco confundir.

Então, prossegue, aprende, desaprende e se encanta com o ciclo da vida. É possível amarmos quantas vezes acharmos que podemos. A mente alcança o infinito... O coração possui ramificações que nossa mente desconhece. O maior perdão que podemos visualizar é aquele concedido pelo Criador em oração, meditação, fé ou outra forma de devoção. Aí também não pode haver o grilhão do medo e do preconceito que impedem que a criatura possa revelar seu regozijo para com as maravilhas de sua criação.


Quando nos perdoamos - às vezes faz tão bem ficarmos sozinhos diante do espelho, mas nada supera o bem-estar de uma boa companhia -, havendo a devida conexão espiritual entre Deus (ou outra forma de crença) e nosso espírito, descobre-se que a vida é uma sucessão de idas e voltas. Peca-se para aprender. Tudo tem seu preço! Liberta-se perdoando. Consagra-se recebendo perdão. Nesse caso, perde totalmente a importância o perdão vindo da alma egoísta, fechada em sua própria existência e sem consciência que nascemos para distribuir amor, notadamente, amor fraternal. Precisamos, efetivamente, reaprender a perdoar(nos)...


* Jornalista. Bacharel em Direito. Especialista em Gestão Pessoas.
Veja esta e outras no  http://luizluna.zip.net/