domingo, 30 de dezembro de 2012

PRESENTE DO INIMIGO SECRETO




É chegada a hora de receber abraços e felicitações, vindas de pessoas diversas. Importante ativar o filtro e cruzar os dedos. Muitos fazem de forma mecânica e outros apenas se aproximam, ou reaproximam, para enxergar se você declinou na vida. Se houve aclive, pode ter certeza, os amigos da onça, na eterna surdina, vão lamentar.

Poucos tem a grandeza de querer aplaudir ascensão alheia. O termômetro indicará região de perigo.


E assim caminha a humanidade...

sábado, 29 de dezembro de 2012

SAÚDE BOA PRA CACHORRO

O Brasil vai sediar Copa do Mundo e Olimpíada, mas o povo trabalhador e honesto continua sendo preterido pelas autoridades, quanto ao acesso aos seus direitos constitucionais. Promessas tem muitas...

Pasmem, mas a saúde pública no Brasil é inferior ao serviço veterinário da Europa. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

ORAÇÃO DE SANTO AGOSTINHO

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria for a de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?
Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

OS JOVENS E A CULTURA DO "AQUI E AGORA"



Shopping, facebook, shows e muita bebedeira. Este tem sido o foco dos mais jovens. Quando perceberem já passou o tempo e o prejuízo foi imenso. Digo e repito, a juventude precisa construir um caminho, edificar e planejar o futuro, se especializar. Esta cultura de viver o "aqui e agora" vai custar muito caro. 

A cortina da pouca idade não permite visualizar o quão bom poderá ser a vida a quem se destina a ser diferente. Lembro que na minha infância ser diferenciado era colocar um pente no bolso, usar calça boca de sino e sapato cavalo de aço. Hoje, ser diferente é ser normal.

Tal qual o 5S, que é a etapa inicial para implantação da qualidade total, escutar os pais, estudar, trabalhar, divertir sem excesso, ter boas amizades, é a diferença que faz falta para uma caminhada de sucesso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O BOM EXEMPLO É O MELHOR SERMÃO



O STF condenou os réus do mensalão e ainda imputou a cassação do mandato aos Deputados envolvidos nesta sangria da moralidade nacional. Entendo que a Ação Penal 470 foi bem analisada e que os Ministros cumpriram o seu papel, mas podia ser um pouco mais severos. 

Esses assaltantes da esperança, dos sonhos, da honestidade do povo bom e trabalhador do Brasil, podiam mofar na cadeia e nunca mais ter direito ao retorno à vida publica. Que José Dirceu, Genoíno, Delúbio, Marcos Valério e os outros companheiros das ações danosas ao erário, que agiam na surdina, possam refletir que ninguém pode se apresentar sobre a Lei.

Não estou por comemorar condenação, situação lamentável para qualquer ser humano, mas, sem hipocrisia, eu queria penas mais severas. 

A maior autoridade é o exemplo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Raimundo Asfóra e a ida sem Deus




Ninguém matou Raymundo Asfóra. Ele decidiu seu caminho, a ida sem adeus. Tudo que se diga em contrário é desinformação, pura e simplesmente.
Ou maldade!
O único problema que Asfóra alcançava nessa decisão era divino, não terrestre. Católico, credor da existência de uma vida eterna, artífice das parábolas na hora de expressar o que queria, confiou-me dias antes da morte pequena frase rabiscada de próprio punho que, interpretada ao pé da letra, diz tudo que alguém possa querer saber sobre o seu fim.
Publiquei a frase, acho que no jornal A União, quando efervescia o caso e quando pululavam na mídia acusações caluniosas imputando a autoria da sua morte a vários dos seus mais leais amigos, dentre estes eu, Ronaldo Cunha Lima, o Cônsul do Líbano no Nordeste e compadre de Asfóra, Joseph Noujaim Habib, Orlando Almeida, dentre outros.
E por essas e outras prometi a mim mesmo não tocar mais nesse assunto. A Paraíba sabe dos laços fortes que me uniam a Asfóra, das verdades que conheço, do sofrimento que o desenlace produziu no seio familiar e amigo do pranteado.
Mas é prudente mexer no caso, quando o caso é reaberto pela Justiça e volta a ser manchete. Prudente e necessário. Inclusive porque muita gente que hoje acompanha o noticiário sequer conheceu Raymundo Asfóra. E a vida desse grande homem foi singular, tanto assim que ele não permitiu-se dar à morte o direito de encontrá-lo. Foi a ela, ciente de que a vida não mais lhe preenchia o íntimo.
Muito falei e escrevi à época da sua partida, contrariando principalmente uma balzaquiana irmã dele que mora em Recife - Mirian -, responsável por todas as calúnias e por esta palhaçada que traz outra vez à ribalta do sofrimento a viúva de Asfóra e seu mais fiel ‘cão-de-guarda’, o morto-vivo fotógrafo Marcelo Marcos.
O relatório apresentado pela Polícia Federal, que entrou no caso a pedido do governador Tarcisio de Miranda Burity para exatamente apurar com isenção o infausto acontecimento, é uma peça conclusiva e sem defeitos. Mostra até que por fração de segundos após o disparo Asfóra manteve-se consciente.
Quer dizer, preparado esteve ele para suportar o impacto do tiro mesmo porque, professor de Direito Criminal, não lhe comportava inocência no gesto e nas conseqüências do que praticaria.
Pés trançados com os pés da cadeira, cabeça deitada sobre a mesa… Todo um figurino perfeitamente seguro e ambientado para o desfecho. Nada a merecer dúvidas sobre a ação. Mas, eleito vice governador da Paraíba, nome de evidência no momento político, óbvio que dúvidas sobre a causa-mortis deveriam aparecer.
Disso não houve queixa. Ao contrário, é dever do Estado tudo apurar. Dessa obrigação Burity não arredou pé. E o resultado oficial, com todos os elementos probatórios necessários, veio a público pelas mãos do xerife maior da Policia Federal, o saudoso Romeu Tuma, que mais adiante virou Senador da República pelo Estado de São Paulo e continuou até sua morte sendo um dos mais respeitáveis nomes do Brasil nessa área policial-investigativa.
A morte de Asfóra não se deu por nenhum acaso. A teia de problemas enredando-o na esfera familiar era tamanha que ir-se por deliberação pessoal com certeza foi a melhor opção.
Não tenho o direito de expor, nem neste e nem em outro espaço, as confidências daqueles instantes finais de dores dilacerantes. Eu e ele, por quatro anos em Brasília, fomos sozinhos. Se em Campina a convivência em Manoel da Carne de Sol com Lindenberg Martins, Rodenbusch, Moacir Thiê e tantos outros que embalavam a sua solidão nas frias noites/madrugadas da Borborema, contribuindo para ajudá-lo a abraçar os amanheceres, era coletiva, no Planalto Central o meu ombro cansado pelo labor diário no gabinete do Anexo IV da Câmara Federal foi o único porto seguro para afogamento das suas alegrias, tristezas, mágoas e decepções.
Não acho justo, pois, esse massacre sobre Neta (Gilvanete Vidal de Negreiros Asfóra) e Marcelo. Essa invenção nascida sob a maldade da balzaquiana que acima me refiro, é coisa de louca. De quem não respeitou sequer os menores herdeiros que só não deixaram de ver o pai no caixão porque eu me insurgi e de forma atrevida levei-os com a mãe para a beira do ataúde lá no Palácio do Bispo, gesto do qual não me arrependo porque foi o justo naquele instante de desespero e orfandade.
Neta, Sheyner, Thanner, Kerma e Bergma estão vivos e sabem bem do que me reporto. Daquele mal, pelo menos, eu os livrei. Negar o beijo no pai na hora derradeira não tinha razão de ser. E assim agi como último ato da assessoria permanente que prestei ao amigo até aquele minuto, fazendo o que era certo!
Hoje ouvi pelo rádio um repórter dizer que a promotoria pública tem um fato novo para provar que Asfóra foi assassinado, mas que somente no dia do júri, em março, trará à tona.
Não me parece legal isso. Trata-se, evidentemente, de uma guerra de nervos. Um massacre adicional para atentar contra as noites insones dos acusados. Nem tanto por Neta, que tem apoio dos filhos e agora é por um deles defendida, mas por Marcelo, este sim o ser mais prejudicado nesse imbróglio, coisa de fazer cortar coração.
Asfóra matou-se! Marcelo, esse sim, foi assassinado. E a balzaquiana era quem deveria vir para o júri, pagar por esse crime.
Marcelo vive, mas está morto há quase três décadas na busca de provar-se inocente perante as leis do País.
Afora a beleza de ter gerado uma filha, nada mais construiu em bem próprio. Adoeceu e envelheceu. Quando anda, rumina saudades do amigo. Quando para, pensa-se um malfeitor. Quando canta, quebra os versos. Quando sonha, alquebra-se em pesadelos.
Isso será vida?

Texto de Marcos Marinho
Copiado do Blog do Tião

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A CULPA É DO PÉ DE MANDACARU


MANOBRANDO A MASSA




Engraçado, sobre distribuição dos royalties do petróleo valeu o escrito e prevaleceu o que estava num contrato, mas para a diminuição da taxa da tarifa da energia a dona Dilma deseja oferecer adeus com chapéu alheio e esquece que também tem um papel assinado, onde contam direitos e deveres aos dois lados. Gostaria que a Presidenta observe que o País não se resume apenas a dois ou três Estados e reveja o seu veto, como também espero que haja um consenso e que a energia tenha menores valores. 

No período eleitoral a Presidente foi à televisão e fez da possibilidade da redução da conta de energia uma bandeira para o PT. Agora, após observar que existem regras estabelecidas e que errou feio em prometer o que não tem pleno gerenciamento, começa, como de costume,  a jogar a culpa nos partidos, em parte da imprensa ou qualquer pé de mandacaru. Lamentável, mas rotineiro.

Levanto este raciocínio para fazer entender como é simples a quem tem o poder da caneta jogar o povo para o lado que deseja que ele siga. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

SEMOB, É MELHOR MUDAR O CÓDIGO DE TRÂNSITO




Questionei a SEMOB - Superintendência de Mobilidade Urbana, da Prefeitura Municipal de João Pessoa, através do twitter, por qual motivo os motociclistas que usam o "corredor ou faixa do meio" não eram multados, tendo em vista que ao fazerem esta opção estão infringindo a lei. A resposta foi pífia e digna de quem não sabe o que dizer. Disse;  "qualquer infração às leis de trânsito observada durante a fiscalização é passiva de punição".  

Ao responder desta forma, a Superintendência alega desconhecer a prática e que se algum motoqueiro for flagrado usando o "corredor" será penalizado severamente. Para não ficar feio é melhor, então, mudar o Código de Trânsito. Basta olhar com uma légua de distância, para qualquer lado, que vai ter a quem autuar.

Vejamos o Código...  

Art. 54. Os condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão circular nas vias:

I - utilizando capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores;

II - segurando o guidom com as duas mãos;

III - usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do CONTRAN.

Art. 55. Os passageiros de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão ser transportados:

I - utilizando capacete de segurança;

II - em carro lateral acoplado aos veículos ou em assento suplementar atrás do condutor;

III - usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do CONTRAN.

Art. 57. Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa própria a eles destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas.

Parágrafo único. Quando uma via comportar duas ou mais faixas de trânsito e a da direita for destinada ao uso exclusivo de outro tipo de veículo, os ciclomotores deverão circular pela faixa adjacente à da direita.
   

domingo, 18 de novembro de 2012

Salmos 55:12-13





"Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido.
Mas eras tu, meu igual, meu guia e meu íntimo amigo." 



Participação fundamental do primo Rafael, a quem muito admiro.  Copiei do Facebook dele


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O SONHO ACABOU, VAMOS VOLTAR A REALIDADE




Terminada a eleição, observando vencedores e vencidos, fiquei com a constatação que muitas amizades foram desfeitas por conta de opiniões, partidos, enfim, venceu o jogo sedutor do poder.

Luciano Agra, de mero coadjuvante na vida politico-partidária, passou a ser um leão adormecido, acordado que foi, como disse. Alçado por Ricardo Coutinho a Prefeito de João Pessoa, depois de idas e vindas, enfrentando seu próprio querer, ficou em posição invertida ao seu descobridor. Tornou-se um grande cabo eleitoral, se opondo aquele que tinha como amigo e companheiro de longa jornada. Irá descansar bastante e não habitará com êxito nenhuma campanha na condição de timoneiro. Pacato, honesto e tranquilo, mas se deixou levar por vontade de terceiros. Ele não gosta deste movimento.

Roseana Meira, desejou muito ser indicada atriz principal. Sendo preterida, resolveu acordar um felino adormecido. Contribuiu bastante para  vitória de Cartaxo, mas não terá o prêmio que mais deseja. A taça da saúde à ela não será entregue. Estará na lista dos convidados da festa, mas o doce tão desejado  não comerá.  Observará a secretaria por qual tanto trabalhou nas mãos de outra pessoa.

Pirro nos ensinou que as vezes ganhar não corresponde a levar. Contudo, ninguém poderá acusá-la por não ter tentado.

A vida tem dessas coisas, mas para a conclusão sobre o que penso disso tudo basta ler Salmos 55:12-13

MEU NOME É PATRICIA: UM GRITO AOS "SURDOS"

Sabemos que a internet é um veículo onde tem de tudo. Vi no facebook e resolvi publicar. Confirmando ou não este fato, não deixa de ser preocupante aos pais a audição "surda" dos filhos.




Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga, para escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. Eu era uma jovem "sarada", criada em uma excelente família de classe média alta de Florianópolis. 

Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal, e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem de melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de "Floripa", Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas, física e mentalmente.

Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OCTOBERFEST em Blumenau. Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no "Bude", famoso barzinho da Rua XV. À noite fomos ao "PROEB" e no "Pavilhão Galego" tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era trimaneira". Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia de OCTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira "doidona", beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os "meganha", porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os "otários" não percebiam. Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase "vomitei as tripas", mas o meu grito de liberdade estava dado.


No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré- menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S.Paulo, que alugaram um "ap" no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.


Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30h da manhã fomos ao "ap" dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado "Cigarro de Maconha", que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de "Catarina careta", mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o "Marcos", fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem aquele dia.


Retornamos a "Floripa" mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino "DRUGS". Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o pó. No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a "branca" a R$ 7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no mínimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus "novos amigos". Às vezes a gente conseguia o "extasy", dançávamos nos "Points" a noite inteira e depois farra.


O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida. Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.


Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha. Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família, amigos, pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo. Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los.


Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo. Estou internada, com 24kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca... Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim.


OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e descreve a enfermeira Danelise, que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS.

NT: Repassar esta informação foi o último desejo de Patrícia



domingo, 11 de novembro de 2012

A VERGONHA DA TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

Tião visitou estes dias de novembro as obras paralisadas do que seria a Transposição do Rio São Francisco. Não tiro ou boto uma vírgula do que disse. É uma vergonha, maldade mesmo, o que o Governo Federal faz com o povo nordestino. Parabéns, Presidenta Dilma Roussef. 

     A seca e o descaso nas obras da transposição





A gente só acredita vendo, e foi para acreditar que estive lá para constatar uma realidade atroz: as obras da transposição estão mesmo abandonadas. A foto mostra o canal que passa por Monteiro-PB  e Sertania-PE.  Parece terra de ninguém. Buracos enormes, pedras detonadas e removidas, e nem um vigia para dizer que aquilo tem dono. Uma tristeza.



O agricultor Miguel Belizário, ao ser perguntado sobre o andamento das obras, não teve dúvidas em responder:"Seu moço, faz um bocado de tempo que ninguém aparece por aqui. Isso virou um cemitério". E virou mesmo. A imagem do descaso e do desprezo dispensados pelas autoridades governamentais a esse Nordeste sem muita serventia.


Pena que não se faça copa do mundo nesses canais, porque, se isso acontecesse, com certeza os milhões de reais jogados nessa obra inacabada teriam melhor emprego. O pior é que tudo isso acontece e nada acontece com quem causou isso tudo.


Texto e imagem: Blog do Tião Lucena

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ESTOU ENVELHECENDO




Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.  Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo.  Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma maquina de caldo de cana, mas que parece tão ?avant garde? no meu pátio.  Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia?  Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo,  desejo  chorar por um amor perdido …  Eu vou. Vou andar na praia em um short esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set. Eles, também, vão envelhecer.

Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. 

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude  gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. 

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo.  Você se preocupa menos com o que os outros pensam.  Eu não me questiono mais.

Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso.  A idade me libertou.  

Eu gosto da pessoa que me tornei.  Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.  E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!



Texto e imagem: Vavá da Luz 








domingo, 4 de novembro de 2012

ENEM: GASTO OU INVESTIMENTO ?




O Ministério da Educação mandou o cartão de confirmação para os exatos 5.791.290 inscritos no ENEM.  No texto contém números pertinentes e necessários para o aluno ter acesso à sala de aula e as provas.  Observei também uma marca holográfica na parte superior direita, aludindo o Brasão Nacional, que imaginava ser para atestar a autenticidade do documento. Errei feio.

O dito selo serviu para exatamente nada.

Intrigado, questionei aos fiscais e nenhum tinha orientação sobre aquilo. Voltei pra casa com o meu. Guardei para poder responder as vozes do MEC que em se tratando de educação não existe gasto, como disse o Ministro Mercadante, informando ser R$46,00 por aluno. Este tipo de evento chama-se de investimento. 

Em todo processo posso chamar de custo irreparável apenas uma marca que encareceu a impressão e que serviu para gerar esta postagem.. 

E SE O BÊBADO FICAR SEM O CARRO ?




Campanhas caríssimas divulgam que não é legal beber e dirigir, mas parece ser inútil. Todos os dias assistimos o lamento das famílias, por vidas ceifadas, diante do ato etílico. Não existe apelo ou consequência que possa desencorajar o condutor cometer esta aberração. 

Todo bêbado é rico, bonito e excelente motorista. Não tem jeito que reduza esta sensação de superioridade, exceto se uma exemplar punição o abrace quando estiver sóbrio.

Assim como a do cinto de segurança, qualquer investida contra a bebedeira só será levada a serio se for feito um ataque vital ao orgão mais frágil de qualquer cidadão. Estou falando do bolso. Penso que havendo a apreensão do veículo, além de todas as demais ações já previstas, até a conclusão do processo, este tipo de crime deixará de acontecer ou será resumido a traço. 

Ao inconsequente, incoerente e irresponsável, que continuar com esta prática insana, restará mais uma opção, independente do peso da infração,   ficar a pé. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA

Fico pensando o que leva uma pessoa do distante Timor-Leste acessar este blog. Qual atrativo pode ter para alguém de Macau ou Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio, a observar o conteúdo das minhas simples publicações? De Portugal nem questiono porque em Lisboa tem a Talita.  Deve ser que alguma postagem coincidiu com uma pesquisa que o internauta estava fazendo e o link do Google nos aproximou. Só pode ser.

Já fui visto de todos os continentes, por habitantes de 37 países diferentes, em milhares de cidades. Do Brasil, visitantes de todos os Estados e Distrito Federal. Lugares que nem conhecia o nome e que depois fui pesquisar para aprender sobre a cultura e seu povo. O Chrome é o navegador mais utilizado, superando Internet Explorer e Firefox. Em se tratando de sistema operacional a ordem é esta; Windows. Macintosh, iPhone, iPad, Linux, Android, Other Unix e Black Berry, conforme dados que recebo.

Nestes tempos de globalização, wi-fi, satélite, 4G e fibra ótica a informação tem muito poder. As noticias se espalham na velocidade do pensamento. A força da comunicação se transformou num canhão. Dependendo do veículo e do comunicador, a dose pode acender apagados e vice versa.

Quais são os números estatísticos dos grandes portais, do Tião LucenaVavá da Luz, Luis Torres, do  Blog da Irislene e outros tantos que leio todos os dias? Milhões, é claro!

Como dizia o Chacrinha, quem não se comunica se trumbica




VISITANTES DE OUTROS PAÍSES


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ESTADOS DO BRASIL


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terça-feira, 30 de outubro de 2012

ELEIÇÃO OU FURACÃO, ONDE SE GASTA MAIS?













Domingo passado terminou a campanha para Prefeito e Vereador, mas já começou a de 2014. Como num passe de mágica os profissionais da política lançaram chapas, candidatos, aliados e adversários. 

Impressiona como factoides são levantados no sentido de criar notícia e gerar audiência. Intrigas são feitas pela cor do cabelo de um, pelo lustre do sapato do outro. Onde não tem se cria, mas o importante é o relevo de um fato novo. Verdade ou não, isso fica para um segundo plano. 

Um país que não descansa, que tem eleições a cada dois anos não pode prosperar. Além do montante de dinheiro empregado em cada biênio, tem a questão que observei acima. O azeite na máquina do voto não pode parar.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania rejeitou o aumento para cinco anos do mandato para Presidente da República. A proposta de emenda à Constituição foi apresentada no Senado pela Comissão de Reforma Política do Senado, mas deu com os burros n'água. Outra possibilidade é a coincidência nos pleitos. De Presidente a Vereador, tudo junto e misturado a cada quatro anos.

Aconselho que as pitonisas de plantão aguardem mais um pouco, informando com a qualidade pertinente de quem deseja manter o ouvinte, leitor ou telespectador. 

Século passado, na década de 50, o homem tinha em um ano o mesmo volume de informação que hoje temos em um dia. Depois que as redes sociais caíram no gosto do povo, a mentira não se sustenta por si só.

No Brasil não tem furacão, mas tem eleição. A tempestade  "Sandy", que arrasa os EUA  é menos danosa que o processo eleitoral, tal qual se encontra. 

O silêncio e o tempo dizem muito. Vamos aguardar!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O DESTINO DA MILITÂNCIA




A militância política, aquela que também é chamada de rafaméa, mundiça, cheira ovo, burro de carga e chaleira, deveria atentar para um detalhe para ver se vale a pena continuar se matando feito soldados em plena guerra: depois de eleito, seu líder o convida para alguma coisa?

Convida não. Nem para a festa da posse, que é comemorada em ambiente fechado, de acesso restrito e vigiado, só entrando lá quem tem senha ou convite por escrito.

Durante a campanha o candidato é povão. Depois dela, povo chique. Sempre foi assim e sempre será.

Lembro que quando certo governante foi eleito, ele que assou a bunda andando na cacunda de Naná Montenegro, comemorou num sobrado medieval ao lado de um restrito e selecionado público. Mas não foi só ele não, os outros também, todos eles, sem tirar nem por.

O militante é o idiota que troca tapas, facadas, dá e leva tiros, se rasga no meio da rua, perde a mulher, leva chifres, vai preso, carrega bandeiras e faixas pelas passeatas, recebe dedadas naqueles lugares misteriosos, esquece de comer, perde o emprego por abandono, mas só tem serventia durante a campanha. Depois dela, vira coisa imprestável, lixo, sucata.

Vendo esses militantes de Campina Grande decretando verdadeira guerra no meio da rua, fico a imaginar o destino deles, dos dois lados, a partir de segunda-feira. Vão todos ser esquecidos. O vencedor e o perdedor, ambos na vala comum dos descartáveis, enquanto os lá de cima, os alvos de suas idolatrias, cuidarão de se arrumar, empregando em postos chaves aqueles que financiaram as suas campanhas e tratando eles próprios de ajeitar a vida da família, porque de bêstas não têm nada.

Eu já fui do time dos idiotas. Lá no meu sertão carreguei faixas e bandeirolas para certo candidato, fiz passeata, até comícios, mas quando viajei para a cidade grande e procurei um achego no poder dele, recebi de volta uma banana. Aprendi depois de algumas cabeçadas que não vale a pena se matar por politico. A maioria, 99,9 por cento calça 40. O bom mesmo é mangar deles, dizer que vota num e não vota em nenhum. Eles nos enganam a vida toda, portanto merecem ser enganados também. Uma vezinha ao menos.



* Texto do jornalista Tião Lucena





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O APAGÃO, A RAQUETE ELÉTRICA E A ESPINHA




Brasileiro reclama de tudo.

Por conta do ultimo apagão o povo se queixou da escuridão, do calor e das muriçocas. Ninguém pensa no benefício que isso poderá trazer. Gente, vamos botar o neurônio empreendedor para funcionar. Tudo na vida tem os dois lados. 

Como ficamos impossibilitados de usar ar condicionado e ventilador as muriçocas tomam de conta do nosso sono. Já de posse daquela raquete elétrica que vende no camelô, custa dez reais, é só partirmos pra cima das meninas, com todo cuidado para não matá-las. Depois de uma raquetada com meia força e da queda da bichinha é só pegá-la com todo cuidado para não quebrar nenhuma asa. 

Agora vem o segredo do negócio...

Vamos vender as primas do mosquito da dengue como cosmético. É simples! Elas devem ser colocadas vivas, uma por embalagem, antes da exposição nas gôndolas das farmácias e supermercados. Depois de escolher a que tiver melhor afinidade, enfrentar uma fila de mais de meia hora para pagar, o consumidor deve pegar a tromba da carapanã e colocar no rosto, sobre a erupção de uma espinha. Faminta e com a boca na botija, vai fazer a sucção de líquidos como se fosse néctar dos deuses.

Como diz o Governo Federal: País rico é país sem pobreza.

Sejamos otimistas, o apagão é bom.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

DROGAS: A POLICIA MILITAR NÃO TEM CULPA





Observem que quase a totalidade das ocorrências de crime contra a vida tem ligação com o mundo das drogas. Não há polícia que resolva. Só se colocar dois policiais em cada rua, e olhe la. Enquanto a PM apreende 100 pedras de crack em um lugar qualquer, entram pelas nossas fronteiras 10 toneladas no mesmo instante. Desta forma, qualifico que os agentes de segurança vivem apenas arriscando a vida e enxugando gelo. Por mais que se empenhem, por mais que trabalhem e se arrisquem o problema tá na raiz. A bronca é na nossa fronteira, campo fértil para traficantes.

Só para vocês terem uma ideia do compromisso do Governo Federal com nossas famílias, existe um tipo de aeronave ( VANT ), não tripulada, que foi comprada para ser operada pela Policia Federal e até hoje não saiu do chão, fez apenas o voo inaugural. Com excelente autonomia, ela, a aeronave, poderia fotografar, monitorar, tudo e mandar informações em tempo real para a inteligência da PF, mas não existe interesse.

Resta-nos, apenas, pedir a Deus que afaste das nossas famílias este mal. O mal do século. 



Veja o Vant ( Veículo Aéreo Não-Tripulado)  http://www.cavok.com.br/blog/?p=51689


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

LULA E SUAS VERDADES DUVIDOSAS




Engraçado, o ex-presidente Lula esteve ontem em João Pessoa e certamente foi aclamado. Tem seus méritos. Fez um belo discurso, pediu presente de aniversário e disse que o que ele diz tem fé de oficio e que ama o povo.

Sempre que vejo as figuras de Lula e Dilma lembro do Padre Djacy Brasileiro, um cavaleiro solitário que clama no deserto. Nada mais direi, deixo apenas um link, aqui mesmo do blog, caso queira refletir sobre promessas de políticos para ganhar eleição e poder. Nele, poderá observar o desespero do Padre por enxergar que vários lotes da Transposição do Rio São Francisco foram abandonados em janeiro de 2011. Pense bem!



"TERCEIRA VISITA AO LOTE SETE DA TRANSPOSIÇÃO. O QUE VI? NADA" !




Siga o Padre no Twitter: @Padredjacy

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

JAGUARIBE, MEU MUNDO




Naquele tempo, a cidade era o quintal da minha casa, ali na rua da Concórdia. E Jaguaribe era o meu mundo.

No quintal eu brincava de pega, de bola de meia, de pão-quente e até de anel. Porque havia espaço  e tempo para tudo. Até mesmo para subir nas mangueiras, separadas pelos irmãos, outorgando-se a cada um a propriedade das mangas -  colhidas com zelo para não machucá-las. As que sobravam do lanche e da sobremesa, eram expostas em vistosas bacias de alumínio (naquela época ainda não havia plástico), nos balcões da venda de “Seu” Benedito – na esquina com a Vasco da Gama, onde o velho pai dividia com outros o mercado de estivas e cereais do bairro.

Ah! Que tempos aqueles!. Hoje se resumem em memória e saudades que aos poucos vão se apagando...

O cinema Jaguaribe, o medo de “Imbuzeiro” – um velho feio e sujo que botava os meninos pra correr, o futebol pra quem tinha comungado na missa das sete rezada por Frei Jorge na Igreja do Rosário onde fui  coroinha e até latim tive de decorar “dominus vosbicum – et cum spiritu tuo”. A sinuca de Alcântara, na Vera Cruz, onde num domingo meu irmão Zé Humberto, já rapaz, taco na mão, foi retirado do salão puxado  pela orelha, por “Seu” Benedito, o pai camarada mas disciplinador que não queria “ver filho viciado em jogo”.

E a  Festa do Rosário?  Ah! A Festa do Rosário, a melhor e mais completa festa de bairro da cidade. Todos os anos, no começo de outubro, quando já não chovia no litoral, a gente – depois da aula no Grupo  Isabel Maria  ou já no ginásio do Liceu – ia pra casa, tomava banho, se perfumava com seiva de alfazema e rumava para o pavilhão central, com a melhor roupa, o  sorriso mais aberto e  alguns trocados no bolso para as primeiras doses de rum com coca-cola ou um copinho de cerveja Bhrama Teutônia: muito para tomar coragem e pouco pra não se viciar. Pegar coragem para mandar um bilhete à menina mais bonita do pavilhão, com quem se trocava os primeiros olhares acumpliciados e, quem sabe, depois dividia os primeiros amassos...

Jaguaribe  da primeira namorada, do primeiro beijo, do primeiro amor. Da menina normalista que me fazia ouvir o LP de 78 rotações de Nelson Gonçalves cantando “vestida de azul e branco/trazendo um sorriso franco/no rostinho encantador” – quem não se lembra, hein! Gonzaga, hein! Martinho Moreira Franco?

Jaguaribe  do Luzeirinho, onde o gordo Antônio servia o melhor picado de porco da cidade, enchendo de gente as calçadas do seu bar na Vasco da Gama às quartas e sábados – local em que  mulher “suspeita” não tinha vez. E o grau de suspeição, ele é quem definia e lembro que até deputado foi convidado a se retirar do ambiente quando, certa vez, se fazia acompanhar de uma dessas senhoras...

A! Jaguaribe da minha infância e da minha adolescência...


Texto do Dr Carlos Pereira:  http://www.carlospereira.net.br/







quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PERIGO: ÁLCOOL NA JUVENTUDE



É de lamentar o quanto nossos jovens utilizam o álcool como fomento para alegria e diversão. Na minha juventude a moda levava ao fumo. Colocar um maço de cigarros no bolso e deixar uma parte aparecendo representava elegância e inteligência. Graças a Deus que esta imbecilidade, depois de ser diagnosticada como causa primária de diversos tipos de câncer, foi abolida pela maior parte, quase totalidade, das pessoas que conheço. A sensação de poder era tão intensa que um marca ( Vila Rica ) contratou um jogador de futebol, o Gerson, para fazer um comercial onde falava que o consumo seria para pessoas espertas...


  • "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!". 

Depois da veiculação, entrou para a história a famosa "Lei de Gerson". Aquela dos que gostam de levar vantagem em tudo, independente das consequências. Ele ainda tem péssimas lembranças desta passagem.

Hoje, desfeita a fumaça, percebo que o avanço da embriaguez é tão eficiente quanto as propagandas dos produtos que causam tumores no pulmão, bexiga e próstata. Poucos saem de suas casas sem deixar um pingo de preocupação nos seus familiares. As reuniões quase sempre tem motivação etílica. Bandas de forró incentivam o exagero, código de biriteiro é impresso (ensinando comportamento inadequado), jovens se unem para comprar camisetas e confeccionar adesivo com alusão a esta prática, como se fosse motivo de alegria, e não angústia, por parte dos que mais torcem que eles tenham um futuro bacana.

Os acidentes fatais na Avenida Epitácio Pessoa tem sido testemunha do quanto é danoso o uso. Famílias são desfeitas e vidas interrompidas.


Ninguém vai colher o que não plantou. 


Até quando?