sábado, 21 de abril de 2012

JOÃO PESSOA - BOLHA IMOBILIÁRIA

JOÃO PESSOA E O INÍCIO DA BOLHA IMOBILIÁRIA






Confesso que há muito observo conversas entre ativistas do mercado imobiliário pessoense acerca de uma possível “bolha” que estaria sendo cultivada em nossa capital. Fala-se num número elevado de lançamentos imobiliários, num contrasenso ao números de habitantes e a renda destes.

Efeitos concretos já se enxergam no processo evolutivo de construção de modernas e suntuosas edificações. Está latente o comprometimento da renda do cidadão com prestações formadas pelos investimentos feitos em imóveis na planta. Em alguns casos ocorrem contratações além daquelas permitidas pela renda auferida. Do efeito pessoal referido surge uma conseqüência lógica: a compra não planejada de um imóvel, aquela feita além das possibilidades financeiras do adquirente, haverá de forçar a ocorrência de uma segunda negociação com o valor de repasse abaixo do preço praticado pelo mercado.

Essa situação vem gerando um círculo no mercado e foi fomentada pelos próprios investidores. A valorização que se vislumbra no decorrer de uma construção na unidade adquirida, digo sempre que se dá no plano do abstrato, materializando-se tão-somente quando próximo da entrega do empreendimento. Até lá, a capacidade de pagamento das obrigações assumidas em contrato têm que ser real e concreta.

Ademais, o efeito “lançamento” tem atingido ferozmente o mercado de imóveis usados ou em acabamento. Tornou-se comum o “cliente” preferir adquirir um imóvel na planta, com entrega prevista para quatro anos, por valor mais alto do que outro com as mesmas características, no mesmo bairro, e com entrega prevista para seis meses adiante. É o efeito “condição de pagamento” que motiva o mercado em regiões economicamente desfavorecidas como o nordeste. O pagamento “a vista” praticado nas negociações no centro-sul do país, para nós é a exceção negocial.

Enfim, mesmo sem desejar, e contrariando pensamento exercido num passado recente, imagino um futuro agoniante para o mercado imobiliário pessoense, capaz inclusive de atingir fortemente a condição econômico-financeira de empresas e adquirentes.

PS: Este texto não é meu. Foi escrito por Glauco Morais : www.blogdoglaucomorais.com.br /  @glauco_morais 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Triste verdade







*  Mais um Ctrc/Ctrv no blog do Tião Lucena.

sábado, 14 de abril de 2012

Todos Descalços: Morreu Chinelo!


Todos Descalços: Morreu Chinelo!


1 berto de almeida
Não demorei muito, chegando à minha terra Jaguaribe, pois andava por aí curtindo a beleza dessa cidade em que a força da grana destrói mais do que ergue coisas belas, para receber a triste notícia de que Chinelo, meu personagem preferido, havia trocado de roupa – quase nenhuma mais ele usava! – e se mudado para outra cidade. Não me deram detalhes sobre a morte de Chinelo. Chinelo morreu, fim de papo.
Os detalhes da partida de Chinelo, esses que não me deram nem os procurei, não tinham quaisquer interesses. Um dia não iria mais acordar em sua casa sem teto e janelas, olhando as estrelas. Ele sabia. Trocaria de lugar. Dormiria para sempre no teto dela. Foi assim que num dia chuvoso e frio descreveu onde morava: “Moro numa casa em que não preciso abrir a janela para olhar as estrelas!”. Era a mais bela maneira de alguém dizer que morava na rua. Um poeta. Um poeta esfomeado. Tiro o chapéu e os meus chinelos para ele.
A morte de Chinelo, para mim, mesmo na certeza de que evitar seria impossível, foi inesperada. Chinelo nunca morreria, pensava. Pelo menos para quem se orientava no seu bairro pelas suas histórias de vida e caminhadas. Não morreu Chinelo, como suspeitava que um dia acontecesse, atrapalhando o tráfego e o trânsito. E, para não deixar de te uma morte poética, operário da vida, num sábado de Chico Buarque. Mas que morreu na contramão da vida, isso nunca duvidei. Chinelo viveu e sobreviveu na contramão da história dos nossos mendigos: nunca pediu!
Diferente dos outros dias, hoje senti mais forte a falta de Chinelo. Amanheci descalço. Sem esse Chinelo que agora descansa sob uma terra que tenho a certeza ter-lhe sido leve. Senti o frio dessa mesma terra nos meus pés descalços. Um frio que não reclamo, porque, comparado ao frio que por toda a vida - tinha 84 anos, um fato que os “matadores” dele não sabiam - Chinelo sentiu no corpo e na alma, era um banho de água quente numa manhã fria da grande São Paulo!
Passei há pouco por uma das “casas” de Chinelo – “A casa de Deus tem muitas moradas!” -, aquela que fica no cruzamento da Rua Vasco da Gama com a Rua 12 de Outubro, no meu bairro Jaguaribe. E vi com esses olhos que tantas coisas comem nesta vida que os moradores do local lavaram a cama onde Chinelo dormia. A calçada está limpinha e cheirosa. Agora estão felizes. Não verão mais aquela “figura abjeta” nem sentirão o odor acre daquele Chinelo velho.
Não mais precisarão esconder a indiferença e o desprezo por aquela figura que nunca falava nem pedia nada. Esperava, como me dissera um dia, apenas que percebessem sua existência, topassem nela. Sentia-se uma pedra no caminho. Ele pensava, disse-me outro dia. Existia. Esperava, como o Pedro Pedreiro do Chico Buarque esperava o trem, que alguns menos ex-crotos dividissem com ele o pão de cada dia que lhe era roubado. Agora, porém, aos pés de um Pai que sabe o que todo filho precisa, descalço ou com chinelo, ele de nada mais precisa. Todos perdoados. Embora saiba as sacanagens que fizeram com ele, e seguem fazendo com outros Chinelos e sem chinelos na vida.
No dia em que Chinelo foi embora sem pagar a conta do bar, devem ter escrito na sua Declaração de Óbito – De renda? Nem pensar! Pagou um triste imposto por Viver com dignidade! - que o morto não teve o nome identificado. Em seguida, passados os dias previstos na geladeira do IML sem que familiares reclamassem o corpo, esse mesmo corpo há muito morto, foi enterrado como indigente.
Não foi assim. Um sem vergonha de conhecer o morto – não sei dizer se Chinelo teria vergonha dele - contou um pouco de sua história para os responsáveis - nada de “urubus humanos” – pela limpeza dos Chinelos da vida. Se hoje Chinelo não tem uma cova, o que não posso afirmar, um nome Chinelo sempre teve: João Batista da Cruz, nascido em Forte Velho, Distrito de Santa Rita, e adotado por um bairro, o meu bairro Jaguaribe, como um de seus mais legítimos filhos.
O meu Chinelo era uma pedra no caminho de uma sociedade sacana que posa de limpinha e cheirosa, até que não se levantem os seus tapetes somente podridão. Mesmo não deixando um só rastro que envergonhe os milhares de pés sem chinelos que pisam de mansinho nessa mesma sociedade hipócrita, Chinelo passava despercebido no meio de uma multidão que corre apressada e vazia e triste em busca de um lugar sem futuro.
Triste. Confesso que assim fiquei com a mudança do meu personagem preferido para outra cidade. Mais triste ainda por não estar presente - – não teve o seu nome lembrado, como não quero o meu; nem virou notícia de jornal, como assim também não quero – na despedida desse sujeito que enquanto esteve por aqui desfilou entre mortos-vivos e muitos vivos, vivaldinos, com a dignidade de um mestre-sala. E que mestre-sala da vida foi o meu Chinelo!
Em tempo: Por muitos anos, no Rio de Janeiro, defendi o nome de Chinelo para Academia Brasileira de Letras.
Siti tibi terra levis...

Texto do irretocável Tião Lucena ( http://www.blogdotiaolucena.com.br/ )

sexta-feira, 13 de abril de 2012

EU NÃO ME IMPORTO COM A COPA DO MUNDO



Falta tudo no País e a desculpa era ausência de dinheiro.

O pobre tem direito a quase nada e quando é oferecido um serviço, que diga-se de passagem é um direito do cidadão e dever do Estado, vem como se fosse um favor, uma grande ajuda de politico tal ou qual. As estradas precisam de triplicação, pois a duplicação já é insuficiente em alguns locais, os aeroportos não tem estrutura para o uso doméstico, nos PSF falta médico, remédio para o básico,  uma melhor condição na marcação das consultas e um atendimento eficaz.  

Fazer elefante branco para o mundo ver e deixar o povo padecendo no paraíso é demais. Não posso concordar com Copa do Mundo e Olimpíada se ainda não temos ações necessárias para o bem estar do tão sofrido povo brasileiro. É como se o Governo fosse fazer uma casa começando pelo telhado, esquecendo o alicerce, deixando de fortalecer as paredes.

E observe que nem falo dos escândalos envolvendo desvios e  superfaturamento. 

Estes eventos vão ser no Brasil, mas não serão destinados ao público brasileiro. A grande piada é que vai ter direito a ingresso mais barato quem comprovar que for cadastrado no bolsa família. Fica a pergunta: Quem recebe bolsa família tem condições de comprar um ingresso por R$50 ?

É o fim!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Isso Também Vai Passar





Chico Xavier, costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita: “Isso Também Vai Passar”. Aí perguntaram para ele o porquê disso, e ele disse que era para se lembrar que quando estivesse passando por momentos ruins, mais cedo ou mais tarde eles iriam embora, que iriam passar, e que ele teria que passar por àquilo por algum motivo. Mas essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deixasse tudo pra trás e não se deixasse levar, porque esses momentos também iriam passar, e momentos difíceis viriam de novo. E é exatamente disso que a vida é feita: De momentos! Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado, por algum motivo. Nunca esquecendo do mais importante: Nada na vida é por acaso.

sábado, 7 de abril de 2012

SANHAUÁ E O ATERRO

Comentando sobre a Praça Alvaro Machado e como o homem avançou contra a natureza, sabemos que fica próximo a estação ferroviária e que ao observarmos a foto, percebemos que o rio Sanhauá tinha seu leito bem próximo onde passava os carros. Hoje pegamos o trem, o ônibus, e seguimos para Bayeux e Santa Rita onde foi feito um grande aterro. Já escutei alguém falar que o terminal de passageiros(rodoviária) foi edificado sobre  milhares de caçambas com  areia e pedra, face ao manguezal existente naquele local.

O homem e as transformações (des)necessárias ao progresso.