sábado, 28 de setembro de 2013

EMPRESA SANTA RITA: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA



Vai aparecer dedo de todo tamanho apontando erro na falta de manutenção no ônibus da Empresa Santa Rita que capotou esta manhã, deixando, infelizmente, saldo de vários feridos e alguns óbitos. 

A empresa tem culpa mesmo, mas não toda.

Onde se encontram os órgãos públicos que não proíbem o transporte clandestino dos carros ditos como alternativos? Diariamente, o itinerário fazia o coletivo passar na frente do Posto da Policia Rodoviária Federal. Tem, ainda, os Guardas de Transito dos municípios de Santa Rita e Bayeux que simplesmente fecharam os olhos, bem como seus diretores, para o que sabíamos. Todo mundo sabia que pela falta de passageiros, devido a concorrência desleal com quem não paga imposto,  iria ficar complicado para o empresário fazer a manutenção preventiva nos ônibus. Se a empresa não oferecia um bom serviço que fosse punida e perdesse a concessão, que é pública, mas vendar as vistas para a clandestinidade é fato grave. 

Alguns dirão que por trás do transporte clandestino tem gente de bem e muitos pais de família, o que concordarei, mas tem que haver o respeito ao que dita a lei. 

Agora é só chorar o leite derramado e ponto final. 


Foto: Bayeux em foco.

QUEM PLANTA VAI COLHER




É um avanço de semáforo aqui, uma oferta de propina ali, uma contra-mão acolá. São pedidos para ingresso na folha do serviço publico pela porta dos fundos e, ate sem trabalhar, favores na surdina de cunho inconfessáveis. Assim vai sendo forjada a diária do povo que vive dentro da lei do menor esforço. 

Poucos se empenham para o sucesso na espiral, mas vislumbram o crescimento através da desonestidade, do trambique, e do desespero alheio.

Geralmente, quem menos se esforça; quem mais fura fila, é quem mais reclama do buraco em que vive. A honestidade reside sempre na segunda opção, na regra três. 

Concluo com uma frase que alcança todo ser humano: " O PLANTIO É OPCIONAL, MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA".

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CADÊ A FESTADO ROSÁRIO?



Li alguma coisa no jornal sobre a festa do Rosário e fui conferir.  Preparei-me para fortes emoções ao passar o sinal da Vasco da Gama com a Primeiro de Maio, ali em frente à Casa da Cidadania, onde no passado funcionou o Cine-Teatro Santo Antônio. Parei diante do portão principal do muro que circunda a Igreja do Rosário, tive vontade de entrar mas freei no meu ímpeto – afinal, a última vez que estive naquele templo, eu absolutamente anônimo e a Igreja absolutamente vazia, senti uma enorme nostalgia, quase tristeza por assim dizer.

Ao seguir em frente, demandando o antigo pátio da feira de quarta-feira, estendi a vista para ver melhor o pavilhão central, as barracas de cachorro-quente e as tendas das quermesses que, ao lado do carrossel e da roda-gigante, fizeram a alegria da minha infância nos primeiros dias de cada outubro daquele tempo.
 Mas, o quê? Nem sombra de qualquer barraca, nem o mais leve sinal do gordo  careca que servia o melhor cachorro-quente da Noite Ilustrada – acho que era este o nome de sua barraca. Olhei pra cima mas não consegui avistar a roda-gigante, aquela em que eu, lá do alto, morrendo de medo, via a Lagoa por inteiro e até um pedaço de Tambaú...

Resolvi continuar minha caminhada em direção ao quase nada. Pois, a par dos modernosos prédios que fazem o Centro Administrativo, só enxerguei uma barraca estilizada no meio do antigo pátio da feira, onde funcionários desocupados tomavam cachaça e falavam mal do Governo.

Que foi feito da Festa do Rosário? Por onde andam as moças da sociedade do bairro que enfeitavam as noites da festa no pavilhão da Paróquia? Cadê os potentes alto-falantes que distribuíam, pelo serviço de som da festa, as mais românticas canções de Emilinha Borba, Carlos Galhardo e Nelson Gonçalves? E os garçons do pavilhão que nos brindavam com a cerveja Teutônia mais gelada e ainda serviam de estafeta pra levar os nossos bilhetinhos aos brotinhos de Jaguaribe?

É a verdade! O progresso acabou com a Festa do Rosário e vai acabar, nestes próximos anos, com a Festa das Neves. Os palanques eletrônicos e os sons de computador já não deixam vez para Teones Barbosa, Tabajaras do Ritmo, Ruy Bezerra e Nelie de Almeida cantarem na minha Festa do Rosário.
E com a Festa que acabou, também vão se acabando as últimas lembranças daquela cidade mais solidária, bem menor é certo, mas muito mais conhecida de todos nós.

Ainda bem que a Igreja do Rosário continua lá de pé, firme como uma rocha e, se a festa acabou, a crença em Nossa Senhora do Rosário parece cada dia mais forte naqueles habitantes de Jaguaribe, muitos deles que ainda moram nas velhas casinhas de taipa do bairro que me viu nascer e que me ensinou a viver. São vivendas modestas, pequenas e desconfortáveis que ainda resistem mas que, mais dia menos dia, o progresso haverá, também,  de transformar em tristes restos de demolição depositados em possantes caminhões de entulhos.

E sobre a notícia do jornal, depois verifiquei bem: tratava-se da Festa do Rosário de Pombal, onde o povo ainda tem a alegria de comemorar a data da Virgem Santa. Amém.







sábado, 21 de setembro de 2013

NO MEIO DO CAMINHO SEMPRE TEM UMA PEDRA


E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. (Eclesiastes 12:7-8)


A única certeza da vida é que tudo é incerto, desde o princípio à partida. A imagem, que me ladeou como companheira por alguns instantes, causou reflexão sobre a efemeridade neste estágio humano. Centímetros me separaram da condição material ao suposto fim.

Estava tudo muito bom e já vislumbrava chegar em casa para abençoar e abraçar os meus, mas no meio do caminho poderia existir esta "pedra".

Então pergunto; que vale essa briga de muro baixo, o rame rame, a perda de tempo no varejo? 




domingo, 15 de setembro de 2013

AOS JOVENS COM CARINHO


Aos jovens que se acham lindos e lindas, que enchem o facebook de fotografias, que fazem caras e bocas, que sacrificam o que ganham para magnificas apresentações nas "baladas", shopping ou nas academias, que andam reclamando do cuscuz com ovo de todo dia, mas que pouco fazem de investimento para o futuro, deixo um alerta de um homem sábio; 


O Mundo é um moinho

(Cartola)


Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar


Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.


Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés.




NT: Em boca miúda é dito que o Cartola fez esta música para uma filha.


sábado, 14 de setembro de 2013

JAGUARIBE: O QUE ME MATA É MINHA MEMÓRIA



O nome da rua da frente do Mercado de Jaguaribe é Generino Maciel. A de trás, onde morei, em forma de arco, se chama Major Jader de Carvalho Nunes. No lugar onde foi construído o Mercado Público já serviu para algumas situações que tenho na lembrança. Eram intermináveis disputas de futebol, peladas mesmo, mas o campo tinha dimensão generosa para as pretensões dos peladeiros de fim de semana. O Auto Esporte sempre treinava por lá. Uma vez o Jesuíno (morava na rua Dr. Antonio Massa, próximo a Serraria de Mário Camelo) caiu na besteira de criticar uma jogada horrível de um jogador do clube do povo, o autinho do amor, e foi ai que levou uma carreira do atleta que ainda hoje o cabelo é espalhado na testa. 

O local também foi palco para estada de dois circos. Um foi o Gran Bartolo´s Circo e o segundo se chamava Real Madrid. Em um dos dois teve o caso que o tratador foi morto por um elefante que o desferiu fatal golpe, jogando o corpo sobre a lona. Quem tinha animal de pequeno porte vivia um Deus nos acuda. Havia uma lenda que se levasse um gato ou cachorro para servir de almoço dos leões não pagava ingresso. Não se via um gato no meio da rua. Ou os donos amarravam ou se transformavam em ingresso para boas gargalhadas. 

Quando na inauguração da iluminação, lembro como se fosse hoje, eu estava na porta de casa, nº 174, jogando bola de gude com o Ido (Joildo Guedes de Lima), amizade que conservo até hoje, que tinha como pai o Sr. Júlio Ferreira. Seu Júlio foi o pioneiro dos jogos de voleibol no bairro.  Foi um clarão de causar espanto. Só tínhamos a iluminação do terraço de casa e as lâmpadas dos distantes postes. Era um breu danado, mas foi que repentinamente se fez a luz. 

Por conta da organização que existia na administração do mercado era proibido deixar os bancos no pátio, após o termino da feira. O feirante que tinha amigos por ali tratava logo de agradar o dono da casa para não ter que contratar um frete para outro bairro. Lá em casa, por exemplo, era a dona Raimunda do picado que deixava o seu banco. Nem preciso dizer que provei de tudo um pouco do que fazia nas suas panelas mágicas. Quem não tinha espaço ou amizade contratava o Seu Biu. Homem trabalhador e pai de uma penca de meninos. Ele levava as bancadas para debaixo dos fios de energia de Paulo Afonso, bem no aceiro da mata. . Fez uma casa lá e, pouco a pouco, ganhou muitos vizinhos. Chegou um, outro, e tantos mais. Dai então surgiu à favela Paulo Afonso. Começava atrás de onde até hoje funciona a Suplan e terminava na Ladeira do Varjão, bem pertinho da casa de Dona Zaíra. Hoje a favela não existe mais e seus antigos moradores foram transferidos para um condomínio que fica na mesma ladeira onde terminava. 

Contemplando esse quase meio século que estou por aqui, posso ver que os novos tempos nos trouxeram inovações magníficas; a tecnologia é uma delas. Quem tinha minha idade em idos da década de 1950 recebia por ano o mesmo volume de informação que recebemos hoje em apenas um dia. Não há um tremor de terra no Japão que não saibamos em 10 segundos. A medicina avançou bastante, apesar de não ser acessível a todos. Tristeza mesmo é enxergar o mar de cerca elétrica nos muros. Esse mundo de fios para proteger o homem do homem me causa espanto. 

Fui menino em Jaguaribe e me alegro recordando. Como dizia e inesquecível Luiz Otávio; "o que me mata é minha memória"

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

PT x DIEESE: FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO.



Quando o PT era oposição seus filiados diziam que para se ter referencia de uma vida mais ou menos para os trabalhadores era necessário observar os valores do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos ). Faziam um barulho danado, greve, fechavam entradas de fábricas, etc...

Hoje, este mesmo Departamento Intersindical diz que o salário minimo tinha que ser R$ 2.685,47

E agora?