segunda-feira, 30 de junho de 2014

MOCIDADE, ADEUS!



Você deixa o óculos de grau em algum lugar, sem o qual não consegue ler absolutamente nada, e depois não sabe onde foi. Daí você roda a casa toda e descobre que sua esposa está usando e pensa que é o dela.

É bacana passar dos quinze anos em família.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

ELBA E A VOLTA PRO ACONCHEGO



Elba Ramalho é uma extraordinária artista e todos os seus shows são de extremo bom gosto e o de ontem, aqui em João Pessoa, também foi. Tudo muito bacana, mas quando ela cantou "de volta pro meu aconchego" chega me deu o nó no pensamento. Esse posicionamento dela, contrario a transposição do Rio São Francisco, é complicado de entender. Sei das origens dela e ela sabe o sofrimento do sertanejo, até porque é daquela região sofrida, seca e sedenta.

Como compreender?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

“DUVIDEI DA EXISTÊNCIA DE DEUS”


Guardei este pedaço da página 83 da Revista Veja por quase 15 anos. Na época, apesar de toda dificuldade que tinha para digerir as atitudes políticas de ACM, vi um pai desesperado pela ausência inesperada do filho. Esses dias revendo alguns livros encontrei a matéria e repasso para leitura. A vida é um sopro! (ACM: * 04/09/1927   + 20/07/2007 = LEM: *16/03/1955  + 21/04/1998).


“DUVIDEI DA EXISTÊNCIA DE DEUS”

“Foi pelo movimento nos corredores que eu notei que havia acontecido alguma coisa incomum. O Bernardino (Tranchesi, cardiologista) veio suado, correndo. Dizia: estamos fazendo isso, estamos tentando aquilo. Nem os médicos esperavam que acontecesse. Tanto que me convidaram para assistir a operação. Eu não quis. Não tive coragem. As quatro vezes que conversei com meu filho foi entrando e saindo do quarto. Falamos sobre coisas normais, coisas de sempre. Se soubesse, acho que teria me agarrado a ele, beijando-o. Penso que ele teve um pouco de consciência do que iria acontecer. Era muito alegre e, no hospital, não sorriu nem uma vez. Eu o provoquei, agradei-o, fiquei passando a mão no seu rosto.  Disse que ele tiraria aquilo de letra. Mas ele não sorria.

Eu e Luís Eduardo éramos a mesma coisa. Éramos irmãos, pai e filho, amigos. Tudo o que a humanidade pode ter de bom nós tínhamos na nossa relação. Ele pensava por mim, eu pensava por ele. Sempre foi o filho mais colado a mim, o que me acompanhava, o que queria viver a minha vida. Desde pequeno. Tenho muitas lembranças. Nós veraneávamos em Madre de Deus, o que é uma praia perto de Salvador. Lembro-me dele brincando no mar. Mais tarde, dele aprendendo a dirigir, pegando o corro antes da hora, escondido de mim. Ficava bravo. Mas ele tinha um jeito especial de transformar minha raiva em carinho. Me dobrava. Ai vieram aqueles momentos no hospital: a correria, o desespero, o rosto dele enrijecido no caixão.

Nunca pude imaginar que meu filho fosse antes de mim. Ele ficou quarenta dias me assistindo quando fiquei enfermo do coração. Ajudou a me salvar. E eu, em quatro horas o perdi. Fiquei me torturando, imaginando se poderia ter feito algo diferente. Se tivéssemos ficado em São Paulo naquela noite teria sido melhor? Se tivéssemos ido à Bahia, não a Brasília? Isso ficou na minha cabeça, rondando. Noites inteiras. Só senti um pouco de alívio depois que procurei especialistas e todos disseram que o caso de Luís Eduardo não tinha salvação. Ouvi médicos do Brasil inteiro. Saía com exames do meu filho na mão, mostrando a todo mundo.

Quando uma coisa dessas acontece, você começa a descrer de Deus. Eu duvidei da existência de Deus. Porque os desígnios de Deus não podem ir até esse ponto. Conversei com dom Eugênio (Sales, arcebispo do Rio de janeiro), ele restabeleceu um pouco a minha fé.  Mas só em parte, porque sempre fica alguma coisa, embora reze toda noite pelo meu filho.  A verdade é que eu não me conformei, não me conformo. Não há minuto que eu não viva isso, não há dia que eu não sofra, não há noite que eu não chore. Não há hipótese. As coisas pra mim ser tornaram pequenas. De modo que eu cumpro o meu dever e não tenho deter  medo de nada. Já perdi o que tinha de melhor. Nada pode me doer mais. Eu já tive o pior. Estou anestesiado.”